The Flavour Of Delusion

Invisible Moment

Cansado. Não sei exatamente do quê. Já passei por épocas muito mais exaustivas sem me sentir tão esgotado. Deve ser mais uma espécie de fadiga psicológica. Depois de toda a luta desses últimos anos, acho que eu estou aos poucos aprendendo a ser eu mesmo de novo. Pessoas, sentimentos, sensações, saudades, desejos, tudo ainda continua muito confuso, mas pelo
menos eu sinto que dessa vez esse é o caminho certo. Ou pelo menos eu espero.

Porra, eu sou um cara muito sensível. Primeiro toda aquela revolta, depois todo aquele amor, ambas formas de tentar me proteger de mim mesmo. Tudo pra no fim das contas dar de cara com o óbvio: não tem como fugir de si mesmo, trouxa. Simplesmente não tem pra onde correr. Eu preciso parar de viver pulando de fantasia em fantasia. Nada contra, não me entenda mal, mas em algum ponto elas precisam deixar de serem apenas fantasias.

Certo, eu amadureci, mas de um jeito muito desconexo e nem um pouco natural. Amigos, responsabilidades, amores, álcool, dinheiro, drogas, mudanças, livros, música, desgostos, viagens, cafés, festas, mais álcool. E onde fica a linearidade nisso aí? Foram anos muito bizarros, muito exagerados. Nem tanto pelos anos em si, mas porque eu sou um cara
muito exagerado. Porra, mais essa agora. Melhor eu ir dormir antes que a coisa piore.

Stop Thinking

It doesn’t have to be clear, it doesn’t have to be perfect,
It doesn’t have to be pure, it doesn’t have to be neat.
It has to be everything and anything at once.
The dilemma of not knowing who I am: fuck it.
I am whatever I wanna be, wherever I wanna go,
Whenever I wanna say, whoever I wanna be with.
Now stop being afraid and start taking more risks.
That bizarre state of not feeling happy and not feeling sad either.
That bizarre state of endless boredom that never goes away.
Time to put it as far away as possible.
Live, do stupid things and regret stuff.
You don’t have to be happy all the time and have
a perfect life and all that fucked up ideia of joy.
I wanna be happy, I wanna be loved, I wanna be taken care of.
And I wanna be sad, I wanna be broken, I wanna be torn apart.
I’m gonna make a hero out of myself.
And I gotta fight, even if barehanded.
I’ve still got the whole world to destroy.
Attitude. For not leaving my dreams behind.
And whenever I start planning something out.
I just need to remember to stop and fucking do it.

Fuga

Quando cheguei em casa ele já me esperava sentado no sofá, os pés
descalços no pufe, o cigarro-qualquer-de-filtro-branco queimando
lentamente na mão direita. Olhava fixamente para o teto enquanto
eu tirava os sapatos e me juntava a ele, puxando outro pufe para mim.

Read More

Ilusão (Vida)

O palco é a procura do palco e o teu papel é não saber
o papel e tudo está certo e a aparente desordem se
ordena súbita e a grande ordem de todas as coisas é
o caos girando desordenado assim como deve girar o caos.

Uma Curiosa Metáfora De Si Mesmo

Ele é a soma de sonhos fracassados e desejos frustrados.
Uma mistura de pequenos luxos e outras tantas simplicidades.
Vê tudo com uma curiosa e sutil apreciação, seja num verde
bucólico ou numa frenética autodestruição em cinza.

Ele é a sombra de tudo aquilo que falhou em ser, de tudo
aquilo que ainda está por vir e por fazer. Sombra que toma
formas cada vez mais concretas, na medida em que aceita
a vida como ela se apresenta. Uma certeza sobre todas as
incertezas que ainda precisa enfrentar.

Ele é uma dúvida despreocupada, vezenquando sem propósito.
Afinal, quando é impossível a previsão, não importa se vale a
pena seguir em frente, contanto que ainda haja forças para
caminhar. E valorizar essa força é a essência da juventude.

Ele é uma explosão silenciosa de pensamentos.
Não vê na natureza a beleza da perfeição, mas sim a
elegância do caos. Poderia passar uma existência inteira
ponderando sobre isso, ainda que ciente de que nunca
chegaria à conclusão alguma que não a falta dela.

Ele não é criança, adolescente, adulto, velho. Ele apenas vive.

Ele é uma curiosa metáfora de si mesmo.

Sopro

Abriu os olhos devagar e ficou ali, imóvel, por alguns segundos. Estava quente, mas o vento que contornava os morros e as árvores e as casas e as pessoas e chegava até a sua janela tornando o quarto agradavelmente fresco. Sentou na cama, puxando o travesseiro contra suas costas e apoiando-se na parede. A roupa completamente amarrotada, de tanto revirar-se nos lençóis noite adentro. Um sonho ruim, talvez, daqueles em que tentava das maneiras mais surreais escapar das situações até que não restava mais escolha senão acordar. Por vezes ainda pensava numa solução pouco depois, mas era tarde demais e não valia o esforço quase sempre em vão de tentar retornar ao sonho. Preferia guardar esse esforço para os sonhos bons.

Read More

Retrospectiva e Retorno

O ano anterior fora difícil para ele.

Maio ouviu um choro solitário, enquanto Junho trouxe um desabafo que desencadearia
uma série de atitudes, consequências e desfechos. Julho não apenas rasgou-lhe a
face, como também revelou respostas sinceras, memórias amargas e uma realidade
que terminou em um grito desolado, um apelo desesperado entre soluços e lágrimas
que ninguém jamais ouviu. Em Agosto começou a compreender melhor a si mesmo e
a maneira como encarava o mundo, apesar de ainda não ter ideia do que fazer. Se
contentou com um descaso sutilmente mascarado, ou talvez nem tanto. Sentado
na calçada, em Setembro, experimentou novas sensações, ou apenas redescobriu
sentimentos antigos, adormecidos. Novembro se perdeu em meio ao som, um misto
de harmonias e melodias ainda inocentes e frágeis. Se perdeu por um tempo e deixou
uma última nota em Fevereiro para então partir, dando lugar a um mundo novo de
imagens e cores, momentos e desejos, beleza e admiração, caos e esperança.

Partiu para voltar, aos poucos, em cada palavra, frase, verso. Estava sempre ali,
despertando à medida que cada fragmento de sentimento era descrito,
ornamentado ou às vezes ainda rude. E agora está aqui, para ilustrar o
mundo que gira em uma mente instável, repleta de cenários, diálogos,
sonhos, significados e simbolismos. Espero apenas que não se afogue
no mar de seus próprios pensamentos mais uma vez.

love, rust and reality

The unbreakable silence went on for what it seemed like hours.
He looked at her again, as she stared at nowhere.
There was no time nor space. Just them.
She sighed. He talked.

“What am I to you?”
“A regret. A mistake, maybe.”
“And?”
“Boredom, a little bit of hatred.”
“Just that?”
“You’re right, who am I kidding… It’s not only a little bit.”
“Then what am I doing?”
“It’s self explanatory.”
“How so?”
“If there ever was a chance to fuck it up, you did.”
“I know.”
“You do.”
“Any suggestion?”
“Sure.”
“Then tell me.”
“Are you thinking about something?”
“Yes.”
“Then keep it to yourself.”

She sighed. He left.

Memórias Portuguesas

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!
Não, são todos o Ideal, se os ouço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,

Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza

- Álvaro de Campos

Somos mais egocêntricos que a geração anterior? (UnB - 9,6)

As formas e padrões que definem, atualmente, como a juventude deve crescer,
progredir e estabelecer-se no meio em que se encontra adotam aspectos que
exacerbam o individualismo e o egocentrismo. Dessa forma, o pensamento
solidário e a preocupação com o próximo não se tornam de forma alguma
uma prioridade e sua importância termina esquecida na vida cotidiana.

Read More