Invisible Moment
Cansado. Não sei exatamente do quê. Já passei por épocas muito mais exaustivas sem me sentir tão esgotado. Deve ser mais uma espécie de fadiga psicológica. Depois de toda a luta desses últimos anos, acho que eu estou aos poucos aprendendo a ser eu mesmo de novo. Pessoas, sentimentos, sensações, saudades, desejos, tudo ainda continua muito confuso, mas pelo
menos eu sinto que dessa vez esse é o caminho certo. Ou pelo menos eu espero.
Porra, eu sou um cara muito sensível. Primeiro toda aquela revolta, depois todo aquele amor, ambas formas de tentar me proteger de mim mesmo. Tudo pra no fim das contas dar de cara com o óbvio: não tem como fugir de si mesmo, trouxa. Simplesmente não tem pra onde correr. Eu preciso parar de viver pulando de fantasia em fantasia. Nada contra, não me entenda mal, mas em algum ponto elas precisam deixar de serem apenas fantasias.
Certo, eu amadureci, mas de um jeito muito desconexo e nem um pouco natural. Amigos, responsabilidades, amores, álcool, dinheiro, drogas, mudanças, livros, música, desgostos, viagens, cafés, festas, mais álcool. E onde fica a linearidade nisso aí? Foram anos muito bizarros, muito exagerados. Nem tanto pelos anos em si, mas porque eu sou um cara
muito exagerado. Porra, mais essa agora. Melhor eu ir dormir antes que a coisa piore.